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14 de Agosto de 2018

Mostrando itens por tag: EXÉRCITO - Bahia 40 Graus

EUA revelam os porões secretos da ditadura militar no Brasil: Ernesto Geisel autorizou execução de opositores do regime

  • Publicado em Brasil

Documento tornado público pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos mostra que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou que o Centro de Inteligência do Exército brasileiro (CIE) continuasse a política de execuções sumárias contra opositores da ditadura militar no Brasil adotadas durante o governo de Emílio Garrastazu Médici, masque limitasse as execuções aos mais “perigosos subversivos”.

 

O memorando de 11 de abril de 1974, assinado pelo então diretor da CIA (serviço de inteligência dos EUA) Willian Colby e endereçado ao então secretário de Estado Henry Kissinger, afirma que o presidente Geisel disse ao chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) à época, João Baptista Figueiredo, que se tornou presidente entre 1979 e 1985, que as execuções deveriam continuar.

 

Segundo o documento, Geisel e Figueiredo concordaram que quando o CIE detivesse alguém que poderia cair na categoria de subversivo perigoso, o chefe do Centro de Inteligência do Exército deveria consultar o general Figueiredo que, por sua vez, deveria dar sua aprovação antes da execução. De acordo com o texto, Figueiredo insistiu na continuidade das execuções e Geisel fez comentários sobre os aspectos potencialmente prejudiciais da questão e pediu para refletir sobre o assunto no final de semana, antes de tomar uma decisão.

 

A publicação perdeu o sigilo em dezembro de 2015, mas o documento ganhou publicidade nesta quinta-feira por meio do professor Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV). Nas redes sociais, onde divulgou o documento, o professor disse que "este é o documento mais perturbador que já li em 20 anos de pesquisa: Recém-empossado, Geisel autoriza a continuação da política de assassinatos do regime, mas exige ao Centro de Informações do Exército a autorização prévia do próprio Palácio do Planalto".

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ERNESTO GEISEL

O memorando relata que o encontro teria ocorrido em 30 de março de 1974 entre Geisel, Figueiredo e os generais do CIE Milton Tavares de Souza (então comandante do centro) e Confúcio Danton de Paula Avelino (que assumiria o comando do CIE posteriormente). Ainda segundo o documento, o general Milton Tavares de Souza afirmou, na reunião, que cerca de 104 pessoas que entraram na categoria de subversivos foram sumariamente executadas pelo CIE no ano anterior.

O texto revela que, no dia 1º de abril, Geisel informou ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que era preciso assegurar-se de que apenas “subversivos perigosos” fossem executados. Os militares acertaram também que o CIE deveria dedicar quase todos os esforços ao combate da “subversão interna”.

Para Spektor, o memorando “é a evidência mais direta do envolvimento da cúpula do regime (Médici, Geisel e Figueiredo) com a política de assassinatos”.

O memorando de número 99 faz parte de uma série intitulada Foreign Relations of the United States (Relações Exteriores dos Estados Unidos) e documenta a história das relações dos Estados Unidos com a América do Sul entre 1973 e 1976.

Apesar de os EUA terem retirado o sigilo em 2015, o primeiro e quinto parágrafos do texto sobre a reunião permanecem sigilosos.

O documento original está arquivado no escritório do diretor da CIA em Washington. A transcrição está disponível online em um site do governo federal norte-americano.

Em nota, o Exército Brasileiro informou que os documentos que poderiam comprovar as afirmações foram destruídos, de acordo com norma da época que visava preservar informações sigilosas. "O Centro de Comunicação Social do Exército informa que os documentos sigilosos, relativos ao período em questão e que eventualmente pudessem comprovar a veracidade dos fatos narrados foram destruídos, de acordo com as normas existentes à época - Regulamento da Salvaguarda de Assuntos Sigilosos (RSAS) - em suas diferentes edições".

FONTE: CORREIO

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Corrupção política e policial são obstáculos que Exército enfrenta no Rio, diz coronel

  • Publicado em Brasil

A intervenção militar no Rio de Janeiro “tem tudo pra dar errado”, é o que pensa o coronel Fernando Montenegro, da reserva do Exército, que comandou a ocupação do morro do Alemão, em 2010. Para ele, o general Braga Neto, designado interventor do Rio, tem pela frente como principais obstáculos a corrupção política e policial, o corporativismo e as sólidas bases criadas pelas facções criminosas no estado. 

Montenegro cita o exemplo da Polícia Militar que tem mais de 3 mil policiais efetivos cedidos à Assembleia Legislativa e atuando na estrutura burocrática da Secretaria de Segurança Pública, todos trabalhando longe das ruas. Ele lembra que o deputado estadual Paulo Melo (MDB), que está preso na Cadeia Pública de Benfica por corrupção, tem em seu gabinete 10 PMs como assessores.

“Há um total descaminho de policiais que podiam atuar nas ruas e se encontram em situação administrativa”, afirma o coronel Montenegro. “A Secretaria de Segurança Pública é outro excelente exemplo. Lá, 500 policiais militares exercem função burocrática na maior estrutura do gênero do país. Claro, todos preferem ficar longe das ruas, ganhando boas gratificações e a salvo”, ressalta o militar. 

CURRAIS ELEITORAIS

Ainda segundo o coronel, os chamados ‘donos de morro’ montam uma estrutura bastante sofisticada que se entranha pelas comunidades, determina a vida econômica local e serve de currais eleitorais para eleger políticos que defendem os interesses do crime organizado.

O CAMINHO DAS DROGAS

Montenegro aponta ainda os desafios geográficos enfrentados pelas Forças Armadas e pelas polícias federais que também devem dificultar o sucesso da missão do general Braga Neto. “Temos 17 mil quilômetros de fronteiras, muitos deles compartilhados com países produtores de drogas, como a Bolívia, a Colômbia, o Peru e a Venezuela”, lembra.

“Os Estados Unidos possuem apenas dois mil quilômetros de fronteira com o México e não consegue impedir o tráfico de pessoas e entorpecentes. Seria necessária uma ação integrada do Ministério das Relações Exteriores com os governos vizinhos nos planos estratégicos e operacionais.”

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  • Jornalista Responsável: Carlos Geraldo Alves MTE/BA 4162 - Fundação: Novembro de 2012
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