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24 de Setembro de 2017

A história do assassinato dos professores da APLB em Porto Seguro que continua sem julgamento, 8 anos depois

O dia 17 de setembro de 2009 marcou para sempre a história política de Porto Seguro, no extremo sul baiano. Neste dia, os professores Álvaro Henrique, de 28 anos, e Elisney Pereira, de 31 anos, presidente e secretário da APLB (Sindicato da categoria), repectivimente, lideravam uma greve há dois dias na rede municipal de ensino, reivindicando melhores salários. Álvaro e Elisney também haviam liderado, na noite anterior, durante sessão na Câmara de Vereadores da cidade um protesto marcante, com denúncias comprometedoras para a classe política porto-segurense. Todos os professores presentes ao ato ficaram de costas nesta noite para a mesa da Câmara, onde estava como convidado o secretário de Educação do município, Caetano Cupolo (PT). Antes ainda, Álvaro deu entrevista ao radialista Tarcizo Diamantino, da 88 FM, onde apontava suspeitas de que o dinheiro da Educação estaria sendo desviado na prefeitura para pagar dívidas de campanha.  

Na noite do dia seguinte Álvaro recebeu uma ligação telefônica da mãe, que morava na zona rural, na localidade conhecida como Roça do Povo, e tomava conta de seu filho, que teria uma deficiência de saúde e estaria passando mal. O professor nem desconfiou de que a mãe estava sendo forçada a atraí-lo para uma emboscada. Ele chamou o colega Elisney e foram juntos para o encontro fatal com homens armados que ocuparam o sítio antes do telefonema. A emboscada funcionou. Os dois professores foram abatidos a tiros na frente da mãe, havia ainda um irmão de Àlvaro no local que escapou. O presidente da APLB ainda foi espancado depois de receber vários tiros. Mas apesar de levar um tiro na cabeça, Álvaro não chegou a morrer na hora, sendo levado para o hospital Luís Eduardo Magalhães e no dia seguinte, via UTI aérea, para Salvador, onde foi operado no hospital São Rafael. Elisney morreu na hora. O sofrimento de Álvaro durou até o dia 23, quando veio a óbito. 

O corpo de Álvaro Henrique chegou a Porto Seguro, no dia 25 de setembro, a APLB tentou realizar um cortejo fúnebre em carro aberto do Corpo de Bombeiros ou em outro com maior destaque, mas, segundo a entidade, a prefeitura dificultou e o corpo do professor acabou sendo levado para o velório no Colégio Frei Calixto, no bairro Baianão, em uma picape pequena, sendo velado na quadra de esportes sob forte comoção e com uma multidão de mais de 2 mil pessoas. 

Antes, no dia do enterro de Elisney, 18 de setembro, o prefeito Gilberto Abade e as autoridades policiais convocaram a imprensa para uma coletiva às 14 horas, em um hotel da orla, onde pouca coisa foi dita e mais pareceu uma forma de tirar os jornalistas do sepultamento. O crime abalou a cidade, deixou em pânico os professores da rede municipal, foi destaque na imprensa estadual e nacional e o medo tomou conta da população. 

O Ministério Público entrou em campo com o promotor Dioneles Santana para apurar o caso. A Polícia Civil também investigou a fundo, com o delegado Evy Paternostro no comando, e concluiu o inquérito apontando como mandante do crime o ex-secretário Governo, Edésio Lima Dantas, também braço-direito do ex-prefeito Gilberto Abade (PSB). Mas o inquérito se baseou em depoimentos de criminosos delatores e poucas provas científicas. 

Após supostas queimas de arquivo, com mortes sucessivas de suspeitos de envolvimento no duplo-homicídio, o então juiz da Vara Crime de Porto Seguro, Roberto Freitas Júnior, hoje na Vara da Fazenda de Eunápolis, decretou a prisão de Edésio Lima, em março de 2010, que ficou preso na carceragem da Polinter até o final de outubro do mesmo ano.

Ainda em 2010, em 17 de setembro, primeiro aniversário do crime, o juiz Roberto Freitas Júnior sentenciou a júri popular Edésio e os policiais militares, Sandoval Barbosa e Joilson Rodrigues, ao mesmo tempo em que mandou soltar os três para que respondessem em liberdade, uma vez que, segundo o magistrado, “julga-se, nessa fase, a admissibilidade da acusação e não o mérito da causa”. Argumentando ainda que "as dúvidas acerca das provas produzidas e as incertezas deixadas pela falta delas devem ser resolvidas pelo princípio: 'in dubio pro societate'. Ou seja, 'em dúvida, pró-sociedade. Nessa fase do processo, basta fundada suspeita para que os réus sejam submetidos ao júri popular”, disse juiz titular da Vara Crime em sua pronúncia. 

O caso foi parar no Tribunal de Justiça da Bahia onde continua até hoje, 8 anos depois, sem informações oficiais, a exemplo de outros crimes políticos na região, como o do radialista Ronaldo Santana, em Eunápolis no ano de 1997, que tem o ex-prefeito Paulo Dapé como suspeito de ser o mandante e o assassinato do ex-prefeito de Itagimirim, Rielson Lima, em 2014, com fortes suspeitas de participação do ex-prefeito Rogério Andrade.

   

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Taxista 'desaparecido' em Eunápolis liga e conta história duvidosa a polícia

O taxista Albérico dos Santos, de 29 anos, morador de Eunápolis, cujo suposto desaparecimento desde o dia 22 de agosto mobilizou a imprensa regional, fez contato com um tio em Eunápolis e também falou por telefone com o delegado Rafael Dunice. Albérico contou ao delegado que estaria em Campinas, interior de São Paulo, depois de ser assaltado numa corrida que partiu de Eunápolis com destino a Nanuque tendo como passageiros dois homens e uma mulher. Os assaltantes o teriam levado para Belo Horizonte, onde ele teria recuperado o carro e seguido até Campinas, a 600 km de BH. Muitas perguntas surgem nesse caso cujas respostas precisam convencer a polícia e a própria família do taxista. Por que a imprena não se convenceu dessa história mal contada.  

 

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