Direção da escola onde professora foi intimada pela polícia emite Nota de Repúdio

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21/11/21 – Após uma professora de filosofia ter sido intimada pela Polícia Civil para esclarecer denúncia feita por uma aluna sobre o conteúdo dado em sala de aula, considerado pela estudante, inadequado e ideológico, a direção da escola estadual Thales de Azevedo, em Salvador, divulgou Nota de Repúdio ao ato policial.

Segundo o portal IG (Último Segundo), a Nota da escola afirma que a intimação policial fere a liberdade e a autonomia do profissional de Educação. “Essa situação viola o direito profissional e o respeito ao trabalho docente em disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e do Plano Nacional de Educação”, diz o documento.

“Infelizmente, as alegações de que os conteúdos curriculares das ciências humanas são de cunho ‘esquerdista’ e os conteúdos de linguagens são de ‘doutrinação feminista’ têm provocado o enviesamento dos conhecimentos historicamente construídos e dos fenômenos sociais, em silenciamento dos docentes”, diz ainda a Nota. 

Problemática

Ainda segundo o portal IG, um grupo de professores da escola afirmou que, antes de registrar a queixa, a aluna vinha tendo um comportamento hostil e perseguia a professora.  

Temas

Junto com a mãe, na delegacia, a aluna se queixou dos temas apresentados durante as aulas de filosofia, abordando questões de gênero, racismo, assédio, machismo e diversidade. Não há informações se a intimação partiu do delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes Contra Criança e Adolescente ou de outro policial civil.

APLB E GOVERNO

O Sindicato dos professores (APLB) também repudiou o ato da polícia de intimar a professora pelo fato. O governo do Estado pediu à Procuradoria Geral para prestar total assistência na defesa da docente. A Secretaria de Segurança Pública ainda não se pronunciou sobre o caso.