Moro x Bolsonaro: STF vai investigar quem cometeu crimes

A  guerra midiática entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro, que explodiu nessa sexta-feira, 24 de abril, está só começando. Os pronunciamentos e a troca de acusações são, por enquanto, balas de festim, apesar da chuva de pedidos de impeachment, panelaços e reações dos políticos.

Os danos colaterais desse abalo sísmico na política brasileira, que surpreendeu direita e esquerda, vão pautar Congresso, STF, redes sociais e imprensa daqui pra frente. 

A imagem da Polícia Federal corre grande risco de cair em descrédito, caso se mostre uma ‘polícia de governo’, como já são as polícias – Civil e Militar – a serviço dos governadores. A PF ainda goza de credibilidade por se manter acima dos interesses de governantes.

As acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça contra o presidente são graves se forem provadas, mais graves ainda se não forem. 

O saldo para a democracia só será positivo se a caixa-preta do governo for aberta e se avançarem as investigações da PF sobre fake news atacando congressistas e o STF, além dos atos pró-intervenção militar apoiado pelo presidente. O STF já recomendou que sejam mantidos os delegados que iniciaram as investigações contra fake news e atos pró-AI 5.    

A pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), a Suprema Corte abriu inquérito, sob o comando do ministro decano Celso de Mello (sorteado), para investigar os possíveis crimes cometidos por Bolsonaro ou Moro no turbulento episódio da troca de comando da PF:

1 – Falsidade ideológica;

2 – Coação no curso do processo;

3 – Advocacia administrativa;

4 – Prevaricação;

5 – Obstrução da justiça;

6 – Corrupção passiva privilegiada;

7 – Denunciação caluniosa;

8 – Crime contra a honra.

Enquanto isso, o novo coronavírus já deixou no país, até sexta-feira, segundo o Ministério da Saúde, o saldo de 3.704 mortos, com as secretarias estaduais de Saúde confirmando 54.043 casos de Covid-19. Em todo o Brasil são mais de mil óbitos nos últimos 7 dias.

Por Geraldinho Alves, jornalista e editor do Bahia40graus