Após sucessivas denúncias de irregularidades no processo eleitoral do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), a Justiça do Trabalho determinou, na terça-feira (7), a suspensão imediata das eleições previstas para os dias 14 e 15 de abril.
A decisão foi proferida pela 17ª Vara do Trabalho de Salvador, e interrompe imediatamente quaisquer atos de votação, apuração, proclamação de resultado e posse.
Segundo o médico Tiago Almeida, que representa a Chapa 2 – Renova Sindimed, grupo de oposição à atual diretoria do sindicato, “a decisão aponta que o processo eleitoral é marcado por reiteradas manobras da atual gestão na tentativa de manipular a democracia interna, a transparência e, principalmente, a vontade dos médicos”.
Problemas graves
1 – Entre os problemas apontados estão a inclusão de pessoas que não são médicas na lista de votação, inclusive advogados ligados ao sindicato;
2 – O uso de registros de médicos falecidos e a exclusão de centenas de profissionais aptos a votar, sem critério transparente;
3 – A comissão eleitoral também é questionada por atuar, segundo a oposição, como extensão da atual diretoria, sem autonomia e sem isenção.
As contestações não param aí. A chapa 2 afirma ainda que o regimento eleitoral foi montado de forma antidemocrática, restringindo a livre manifestação dos médicos, e que houve tentativa de impugnar a oposição mesmo após inscrição regular. Para a chapa 2, o conjunto desses fatos revela uma tentativa de controlar o processo eleitoral e impedir que a categoria se manifeste livremente.
Para Almeida, “o que os médicos esperam são eleições limpas e transparentes, capazes de resgatar a credibilidade de uma instituição que já foi protagonista nas lutas da categoria e que hoje enfrenta escândalos e uma profunda crise de confiança, justamente em um momento de intensa precarização da medicina”, finalizou.