Brasil ganha Oscar inédito com filme mostrando a resistência contra a ditadura
O filme brasileiro “Ainda estou aqui” fez história no cinema mundial ao ganhar o primeiro Oscar da história do Brasil, na categoria de Melhor Filme Internacional, neste domingo (2).
A produção original Globoplay também concorreu como Melhor Filme e Melhor Atriz (Fernanda Montenegro).
“Em nome do cinema brasileiro, é uma honra tão grande receber isso de um grupo tão extraordinário. Isso vai para uma mulher que, depois de uma perda tão grande em um regime tão autoritário, decidiu não se dobrar e resistir”, afirmou o diretor do filme Walter Salles em seu discurso de agradecimento.
Filme conta história de Eunice Paiva
A trajetória de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres no filme ‘Ainda Estou Aqui’, é um dos retratos mais marcantes da resistência à ditadura militar no Brasil instalada em 1964.
Eunice enfrentou o regime após o desaparecimento de seu marido, o engenheiro e ex-deputado Rubens Paiva, levado à força por prepostos da ditadura em 1971.
Eunice Paiva nasceu em 1932 e teve sua vida radicalmente alterada com o desaparecimento forçado do marido. Por décadas, a versão oficial omitiu os fatos, mas hoje se sabe que Rubens Paiva foi preso, torturado e assassinado pela ditadura militar.
Com cinco filhos para criar, Eunice Paiva não se calou. Mesmo sob vigilância e ameaças, tornou-se advogada e passou a atuar na defesa de perseguidos políticos, consolidando-se como uma referência na luta pelos direitos humanos no País.
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