Segundo investigações, o ex-deputado federal e ex-candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, Uldurico Pinto Júnior (MDB), preso preventivamente na quinta-feira (16), teria negociado por telefone, de dentro de seu carro, a propina de R$ 2 milhões supostamente paga pelo traficante Ednaldo Pereira de Souza, o Dada, para facilitar a fuga de 16 detentos do presídio estadual de Eunápolis, em 12 de dezembro de 2024, um mês antes da ação criminosa.
Naquela ligação, em 2 de novembro, ele teria acertado o repasse dos valores indevidos com Joneuma Silva Neres, então diretora da unidade prisional, indicada para o cargo sob sua influência política.
Dada é apontado pela polícia como líder do PCE (Primeiro Comando de Eunápolis ), facção com atuação regional e vinculada ao Comando Vermelho. O criminoso foi um dos detentos que fugiram da unidade prisional e manteve um relacionamento amoroso com Joneuma dentro do presídio. A ex-diretora cumpre pena em regime domiciliar.
Atualmente, Dada estaria no Rio de Janeiro, de onde continuaria a comandar ações criminosas no extremo sul.
Os advogados de Uldurico Pinto Júnior negam envolvimento dele com qualquer irregularidade e dizem que sua inocência será comprovada. Os detalhes do caso constam em um dos processos no âmbito da Operação Duas Rosas, que culminou na prisão do ex-deputado, após diligências do MP-BA (Ministério Público da Bahia), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas).
Adiantamento
De acordo com os autos, dois dias após contato telefônico com Uldurico, Joneuma recebeu de Dada um adiantamento de R$ 200 mil em uma caixa de sapatos.
Pai citado
No dia seguinte, em 5 de novembro, ela teria entregue em Teixeira de Freitas R$ 150 mil na residência de Uldurico Alves Pinto, pai de Uldurico Júnior.
O restante foi repassado por meio de Pix e R$ 21,6 mil em depósitos bancários, diretamente na conta de Uldurico Júnior.
Regalias
Ainda conforme as investigações, durante a gestão de Joneuma, integrantes da facção beneficiada teria recebido uma série de regalias. Uldurico Júnior, por sua vez, frequentava o presídio sem registro formal e mantinha encontros reservados com Dada, o que, para os investigadores, indicaria sua inserção na estrutura da organização criminosa.
As apurações também apontam que a fuga dos detentos não teria acontecido de forma isolada ou fortuita, mas estaria inserida em um contexto da articulação criminosa estruturada, envolvendo integrantes do PCE e o candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, com a utilização de influência política e institucional.